terça-feira, 12 de julho de 2011

A Saúde Pública Nossa de cada dia

Socorro demora sete horas

Pintor só foi socorrido após a intervenção do Pioneiro e o apelo de uma atendente dos Bombeiros

Caxias do Sul _ O pintor Paulo Roberto de Lima, 44 anos, teve um dia de cão. Quando despertou, pouco antes das 7h, na casa modesta da Avenida Trichês, percebeu que não conseguia se mover. A dor nas costas era lancinante.
A primeira reação de familiares foi levá-lo até o Postão 24 Horas, no Centro, distante 15 quilômetros. A alternativa se revelava a mais eficiente, diante da greve dos médicos da prefeitura, que ontem completou três meses e paralisa parcialmente postos de saúde de bairros como o Desvio Rizzo, onde ele reside.
Entrevado, Lima foi tirado da cama sobre um velho cobertor e acomodado no porta-malas de uma caminhonete. No primeiro solavanco, ele ordenou ao motorista que parasse, pois não suportava a dor.

Diante dos apelos desesperados por socorro do pintor, familiares e vizinhos iniciaram uma peregrinação em busca de uma ambulância. Ao movimentá-lo, temiam ferir-lhe a coluna. O socorro chegou, só que sete horas depois. Durante todo esse tempo, o pintor permaneceu imóvel dentro do porta-malas.

Familiares e amigos garantem terem feito meia dúzia de ligações para o Serviço de Atendimento de Urgência (Samu). Eles seguravam o celular, enquanto o pintor falava:

– Eles (os atendentes do Samu) perguntavam se eu havia sofrido algum tombo ou batida. Como eu dizia que não, respondiam que não podiam fazer nada e que eu deveria buscar socorro com carro próprio.

Avisada e com um relato semelhante da semana passada, a reportagem do Pioneiro foi até a casa do pintor. De lá, falou com uma médica do Samu, que preferiu o anonimato:

– Ele não corre risco de morrer. Pode ser transportado em qualquer veículo. Ele não sofreu fraturas, não há sinais de traumas. Ele tem uma dor subjetiva.

Informada que o pintor gritava de dor e questionada sobre quem poderia ajudá-lo, ela não recuou:

– A população sempre dá um jeito. Nós apenas seguimos as regras da Portaria do Samu, que prevê atendimento quando há risco de vida.

Diante disso, a reportagem ligou para Fundação de Assistência Social (FAS). O responsável pelo transporte, Paulo Roberto Pereira, respondeu que não possuía ambulâncias ou outros veículos especializados para a remoção de pessoas.

O Corpo de Bombeiros também foi acionado. A atendente disse que, o máximo que poderia fazer, era reforçar o pedido junto ao Samu. Vinte minutos depois, a ambulância do Samu chegava para levar Paulo Roberto de Lima para Postão 24 Horas. À noite, ele seguia na emergência, com forte crise no nervo ciático.
fabiana.seferin@pioneiro.com
FABIANA SEFERIN
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Fico muito triste com essas notícias onde comprova como nós, cidadãos, pagadores de impostos e sustentadores dessa maldita Saúde Pública, somos tratados na hora em que necessitamos de um serviço.
Sei que no Serviço Público há muitas normas, regras, enfim que temos que cumprir a LEI. Mas sempre há o bom senso para tudo. Não é porque um cidadão não caiu um tombo ou sofreu um acidente que não corre risco de vida, ou risco de sequelas pelo socorro inadequado.
Nós, Servidores Públicos, temos que, no mínimo ter a sensibilidade de analisarmos cada caso surgido e tratarmos com a devida responsabilidade e respeito que todos os cidadãos merecem.
Imaginem uma pessoa esperar 7 HORAS  por socorro.
Quando digo que os Novaesperancenses moram no Paraíso, ficam rindo de mim.

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