sábado, 30 de outubro de 2010

Decepção e Caridade

De acordo com o “Decreto sobre a atividade missionária da Igreja” (1966:19), publicação que resultou das discussões do Concílio Vaticano II, a caridade deve ser entendida como um ato de amor ao próximo:
3 2 8 Sociologias, Porto Alegre, ano 8, nº 15, jan/jun 2006, p. 326-351
A caridade cristã a todos se estende sem distinção de raça, de condição social ou de religião. Ela não espera vantagem alguma nem gratidão. Foi com amor gratuito que Deus nos amou. Assim também os fiéis por sua caridade mostrem-se solícitos por todos os homens, amando-os naquele mesmo afeto que levou Deus a procurar o homem. À imitação de Cristo que percorria todas as cidades e aldeias, curando toda doença e enfermidadeem sinal da vinda do Reino de Deus (cf. 9,35 ss; At 10, 38), a Igreja por seus filhos se liga aos homens de qualquer condição e particularmente aos pobres e aflitos, dedicando-se a eles prazerosamente (cf. 2Cor 12, 15).
Fonte:http://www.scielo.br/pdf/soc/n15/a12v8n15.pdf
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Com um pequeno trecho do Artigo da Claudia Neves da Silva, é que começo o assunto que hoje abordo aqui.
Hoje escutei 2 programas da rádio aqui de Nova Esperança do Sul. Um era informativo e outro religioso.
No primeiro o apresentador do programa clamava ao povo desta cidade a união para ajudar uma família que teve sua residência tragicamente destruída por um incêndio. No outro o religioso, eu IMAGINEI, agora vai ser feito uma bonita campanha de ajuda a esta família. Tal foi minha surpresa, pois o apresentador sequer tocou no assunto, porém mais de uma vez CLAMAVA ao povo de sua igreja para que ajudassem na Campnaha da Fraternidade, que contribuíssem na preparação de uma FESTA, para angariar fundos à Igreja. Dizia ele, que todos temos algo em casa que vai ajudar um irmão lá distante. Lógico que sempre TEMOS algo a oferecer. Mas será que precisamos enviar a nossa ajuda para alguém lá, distante, enquanto o irmão aqui do lado está ao relento? Porque motivo DEVO ajudar para a realização de uma festa se meu irmão está sem comida, sem roupa e sem casa, e bem aqui, debaixo de meu nariz?
No ano passado passamos por uma fatalidade de mesma proporção e teor, com pessoas de nossa família, sabemos o quanto é dificil.
Enquanto eu comentava com minha mãe o que acabo de escrever aqui, ela me retornou: mas a tua tia, no ano passado, quando teve sua residência destruída pelo fogo, pediu a visita deste dirigente religioso, pediu uma benção. Mas até hoje, depois de um ano, ele não foi fazer a tal visita. Minha mãe falou ainda que na época, ele estava em nosso bairro coletando o tal  "dízimo" e falou que 50% do que ele arrecadasse seria enviado para a família da minha tia. Até hoje ela não recebeu nenhum centavo. Talvez ele não tenha arrecadado nada naquela sua campanha de "dízimo", sei lá!!!!!!
Mas e a visita e a benção que minha tia tanto aguardou com ansiedade!!!!! E que, hoje a tornou uma decepcionada com sua religião, afinal, quando ela mais precisou nem uma benção foi possível.
Graças à caridade e ao amor de muitas pessoas daqui e de cidades vizinhas, hoje eles estão com toda a estrutura material reconstruída. Mas... o íntimo, os sentimentos, as lembranças jamais serão apagadas, apenas atenuadas. E feliz daquela pessoa que foi e é, capaz de fazer além da caridade material, a caridade moral. Esta última, não tem preço!!!

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