sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Falando de ingratidão

É comum se ouvir falar de ingratidão. Amigos que depois de terem privado da maior intimidade, se voltam violentos, desejando destruir. Basta uma pequena contrariedade, uma questão política, um diverso ponto de vista religioso. Eis formada a querela. O distanciamento.
Esquece-se de todos os benefícios recebidos. Dos abraços, das promessas, das alegrias repartidas e vividas em conjunto.
Esse tipo de comportamento demonstra como o homem, embora se diga humano, muito necessita crescer para se considerar como verdadeiro participante da Humanidade.
Recordamos de uma antiga lenda judia que fala de um homem condenado à morte e que ia ser apedrejado.
Os carrascos lhe jogaram grandes pedras. O réu suportou o terrível castigo em silêncio. Nenhum grito. Na sua condição, compreendia que a desgraça havia caído sobre ele e que seus gritos de nada serviriam.
Passou por ali um homem que havia sido seu amigo. Pegou uma pequena pedra e atirou na direção do condenado. Somente para demonstrar que não era do seu partido.
O pobre condenado, atingido pela diminuta pedra, deu um grito estridente.
O rei, que a tudo assistia, ordenou que um de seus lacaios perguntasse ao réu porque ele gritara quando atingido pela pequena pedra, depois de haver suportado sem se perturbar as grandes.
O condenado respondeu: As pedras grandes foram atiradas por homens que não me conhecem, por isso me calei. Mas o pequeno seixo foi jogado por um homem que foi meu companheiro e amigo. Por isso gritei.
Lembrei de sua amizade nos tempos de minha felicidade. E agora vi sua felicidade quando me encontro na desgraça.
O rei compadeceu-se e ordenou que o pusessem em liberdade, dizendo que mais culpado do que ele era aquele que abandonava o amigo na desgraça.
A lenda nos dá a nota de quanto dói a ingratidão de um amigo. Naturalmente, quanto mais estimamos e confiamos em alguém, mais nos atormentará a sua traição. A sua ingratidão.
É importante pois que examinemos nossas próprias ações, observando se não somos ingratos. Em especial com aqueles que estenderam a preciosidade da sua amizade, por longos e longos anos.
Não sejam as notas distantes de algumas rusgas que nos permitam agredir, de forma cruel, os que ontem nos sustentaram nas lutas.
Soubemos, há poucos dias, de uma aluna que, depois de ter recebido do seu mestre todo o apoio, em forma de ensino, livros, oportunidades de estágio, decidiu estabelecer uma questão judicial.
Esquecida dos tantos benefícios, das longas horas de dedicação do antigo mestre, depois de um desentendimento em que se sentiu lesada, resolveu requerer vultosa quantia como pagamento pelas horas de trabalho ao lado dele.
Olvidou o aprendizado, do quanto lhe devia por sua própria formação profissional. E mais: de quantas portas, graças à fama dele e experiência, se haviam aberto para ela.

Ingratidão. Sentimento que somente floresce nos corações enfermiços.
Moléstia do caráter que requer o remédio da compaixão.
* * *
Se alguém te retribui com a ingratidão o bem que doaste, não te entristeças.
É melhor receber a ingratidão do que exercê-la em relação ao próximo.
E se teu problema for de ingratidão dos filhos, guarda piedade para com eles e dá-lhes mais amor...
Porque a ingratidão dos filhos para com os pais é dos mais graves enganos que se pode permitir ao Espírito, em sua marcha evolutiva.
Autor:
Redação do Momento Espírita com base na lenda judia Os amigos, do livro Lendas, fábulas e apólogos, ColeçãoAntologia da literatura mundial, v. 4, ed. Logos e no verbete Ingratidão, do livro Repositório de sabedoria, v. II, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
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Infelizmente a ingratidão é vivenciada por nós, seres humanos, ditos pensantes, em todos os dias, com pessoas que menos esperamos.
Aquela pessoa que por anos a fio batia na porta de minha casa e pedia comida, era sempre, com amor e carinho, atendido. Hoje, adulto, trabalhando, em situação melhor que a minha, bate na porta da minha casa e grita palavras de escárnio porque não lhe consegui pagar uma conta de água.
Aquela pessoa que usou do meu trabalho e na hora de pagar, eu precisava de dinheiro para comprar comida, me oferece em troca produtos de sua loja (pregos, areia, brita,cimento...), só por saber que já estou caída, estendida no chão e sem forças para lhe dizer que não vou conseguir me alimentar de pregos...de cimento...
Aquela pessoa que no momento em que eu estava no PALCO, vinha me apertar a mão, abraçar, querer um minuto da minha atenção, agora que estou velha, doente pelo tempo de trabalho de PALCO, posso fazer poucas coisas...me vira a cara, com vergonha de mim, velha, pobre, sem trabalho!!!
EM QUE MUNDO VIVEMOS? MUNDO HUMANO?

Um comentário:

  1. A vida nem todos os dias nos é justa. Mas não perca teu tempo olhando para aqueles que não podem por pobreza de espírito te estender a mão, te dar um abraço. Não perca seu tempo, pois ao teu redor aparecerão outras tantas pessoas que você nem imagina, prontas para te ajudar. Tudo que demos volta a nós, nem sempre pelas mesmas mãos que receberam de nós. Mas por um outro instrumento do universo. Nada acabou,há muito ainda nesse palco. Muitas vezes, quando pensamos que estamos fracos, é quando estamos mais fortes. Hoje é sexta! Você vive! Maquiagem nesse rosto! Tome um bom vinho! A vida é somente os momentos de alegria que guardamos!

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